ESMAVC Radio Station – Georges Méliès: Tornar visível o sobrenatural, o Imaginário ou até o Impossível / To make visible the Supernatural, the Imaginary, even the Impossible - Sách nói Miễn phí

ESMAVC Radio Station – Georges Méliès: Tornar visível o sobrenatural, o Imaginário ou até o Impossível / To make visible the Supernatural, the Imaginary, even the Impossible - Sách nói Miễn phí

Tác giả:

Ngôn ngữ: Unknown

Thể loại:

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1 Chương
  • 1. Georges Melies Maria Amaro EQ

Giới thiệu

Programa Radiofónico de Maria Amaro

A Radio Broadcasting by Maria Amaro

Maria Amália Vaz de Carvalho High School

Oficina de Multimédia

Class of Multimedia

Prof. João Soares Santos

O projecto ESMAVC Radio Station consiste na criação de conteúdos áudio digitais que poderão ser escutados através da internet ou transmitidos por outros meios de comunicação. Esses conteúdos são temáticos, congregam textos, locução, sequências musicais, ruídos, efeitos sonoros e silêncio, devidamente organizados consoante a intenção dos alunos. Este material é elaborado na disciplina de Oficina de Multimédia e pode ter qualidades mais experimentalistas e ensaísticas ou atributos mais convencionais. Serão tratados temas da História e Estética da Música, do Cinema, da Literatura, das Artes de Cena ou Plásticas bem como outros assuntos relevantes de outras áreas do conhecimento que os alunos decidam explorar.

Em paralelo realizar-se-ão anúncios publicitários referindo-se a produtos ou serviços absurdos nos quais a montagem sonora final terá um teor cómico, poético ou crítico.

ESMAVC Radio Station goal is the creation of digital audio content that can be heard over the internet or transmitted by other media. These contents are themed, congregate text, locution, musical sequences, noise, sound effects and silence, organized according to the students' motivation. This material is prepared in the class of Multimedia and will have a more experimental and essayistic orientation or a more conventional approach. Themes cover History and Aesthetics of Music, Cinema, Literature, the Performing Arts, Painting, Sculpture, Architecture, as well as alternative issues relevant to other areas of knowledge that students decide to explore.

In parallel the class must create advertisements referring to absurd products or services where the final editing must have a humorous, poetic or critical feature.

Georges Méliès:

Tornar visível o sobrenatural, o Imaginário ou até o Impossível

To make visible the supernatural, the imaginary, even the impossible

Maria Amaro

Marie-Georges-Jean Méliès, foi um cineasta, ilusionista e actor francês, que liderou vários desenvolvimentos técnicos e narrativos nos primeiros anos do cinema. Méliès ganhou destaque no mundo do cinema, pelos seus fabulosos filmes de "truques mágicos" e de efeitos especiais inovadores. Realizou mais de 520 filmes entre 1896 e 1913.

Nasceu a 8 de Dezembro de 1861, em Paris, filho de Jean-Louis Méliès e de Johannah-Catherine Schuering. O seu pai mudou-se para Paris em 1843 como sapateiro e começou a trabalhar numa fábrica de botas, onde conheceu a mãe de Méliès. O pai de Johannah-Catherine foi o sapateiro oficial da corte holandesa antes de um incêndio arruinar o seu negócio. Casaram-se, fundaram uma fábrica de botas de alta qualidade no Boulevard Saint-Martin e tiveram quatro filhos Henri, Eugène Louis e Georges. Quando este último nasceu a família tinha prosperado.

Georges frequentou o Lycée Michelet a partir dos 7 anos, até este ser bombardeado durante a Guerra Franco-Prussiana. Foi depois para o prestigiado Lycée Louis-le-Grand. Apesar da sua formação clássica, a paixão artística era muito forte. Gostava de desenhar, esboçava retratos ou caricaturas dos seus professores ou colegas de classe ou inventava arquitecturas ou paisagens de fantasia que se aparentavam a cenários de teatro. Era reprendido pelos professores, pois o seu caderno estava cheio de desenhos em vez da matéria dada nas aulas. Aos 10 anos, fez o seu primeiro teatro de marionetas em cartão e criou marionetas sofisticadas na adolescência. Georges Méliès obteve um bacharelato em 1880. Em 1881, prestou serviço militar em Blois, terra natal do mágico Robert-Houdin. Alguns autores falam das suas visitas a Saint-Gervais-la-Forêt, perto de Blois, à propriedade “Le Prieuré” de Robert-Houdin, sem que essas visitas estejam confirmadas.

Depois de concluir os estudos, juntou-se aos irmãos no negócio de calçado da família, onde aprendeu a costurar. O pai enviou-o para Londres para ele trabalhar como escriturário de um amigo da família e para melhorar seu inglês. Enquanto estava em Londres, começou a frequentar o Egyptian Hall, dirigido pelo ilusionista John Nevil Maskelyne conhecido por «England’s Home of Mystery». Vendo apresentações de magia e espiritualismo nesta sala, desenvolveu uma paixão duradoura pelas formas de ilusionismo. Em 1885 regressou a Paris, com um grande desejo de estudar pintura na École des Beaux-Arts, mas o seu pai recusou apoia-lo financeiramente como futuro artista. Méliès acabou a trabalhar como supervisor das máquinas da fábrica da família. Nesse mesmo ano, a família queria que ele se casasse com a cunhada do irmão, mas ele optou antes por casar com Eugénie Génin, uma pianista, a filha de uma amiga da família da sua mãe. Tiveram 2 filhos, Georgette, nascida em 1888 e André, nascido em 1901.

Enquanto trabalhava no negócio da família, Méliès manteve o interesse pela magia de palco, sendo espectador do Théâtre Robert-Houdin, fundado pelo ilusionista Jean Eugène Robert-Houdin e começando a ter aulas de magia com Emile Voisin, que lhe deu a oportunidade de realizar os seus primeiros números públicos, no Cabinet Fantastique do Museu de Cera Grévin e, mais tarde, na Galerie Vivienne.

Em 1888, o pai de Méliès reformou-se do ofício e Georges Méliès vendeu a sua parte do negócio de calçado da família para os seus dois irmãos. Com o dinheiro da venda e do dote da sua esposa, comprou o Théâtre Robert-Houdin à viúva do celebrado mágico francês.

Embora o teatro estivesse bem equipado, muitas das ilusões e truques disponíveis estavam desactualizados e a frequência do público era baixa, mesmo com as reformas que Méliès iniciou.

Nos anos seguintes, criou mais de 30 ilusões, as quais trouxeram mais comédia e pompa melodramática às sessões, muito parecidas com as que viu em Londres, conseguindo, devido ao seu sentido poético e estético, atrair mais gente. Uma das suas ilusões mais conhecidas foi o «Homem Decapitado Recalcitrante», no qual a cabeça de um professor é cortada a meio de um discurso e continua a falar até ser devolvida ao corpo. Criou espetáculos de prestidigitação e de «grandes ilusões» com vários outros mágicos os quais terminavam com a projeção de fotografias pintadas em vidro. Ao comprar o Théâtre Robert-Houdin, Méliès herdou o seu mecânico chefe, Eugène Calmels e Jehanne D’Alcy, que se tornou a sua amante e mais tarde a sua segunda esposa e actriz de cinema. Enquanto dirigia o teatro, Méliès também trabalhou como cartoonista político para o jornal satírico La Griffe.

A 28 de Dezembro de 1895, Méliès participou numa demonstração privada especial do cinematógrafo dos irmãos Lumière, oferecida aos proprietários de salas de espectáculos em Paris. Méliès ofereceu 10 000 francos aos irmãos Lumière por uma das suas máquinas. Os Lumière recusaram. Com a intenção de encontrar um projector de cinema para o seu teatro, procurou noutro lugar, pois muitos outros inventores na Europa e nos Estados Unidos estavam a experimentar máquinas semelhantes, embora tecnicamente menos sofisticadas. Teimoso, Georges Méliès comprou o processo do Isolatograph aos irmãos Isola e o projetor Theatograph comercializado em Londres pelo seu amigo e realizador pioneiro do cinema britânico, Robert William Paul, bem como curtas-metragens vendidas por Paul e pela Edison Manufacturing Company. Fundou a sua própria produtora, a Manufacture de Films pour Cinématographes, conhecida por Star Film. Em Abril de 1896, o Théâtre Robert-Houdin exibia filmes como parte das suas sessões.

Após estudar o funcionamento do animatógrafo, Méliès modificou a máquina para que servisse como câmara cinematográfica. Como o stock de filmes em bruto e os laboratórios de revelação ainda não estavam disponíveis em Paris, Méliès comprou filme não perfurado em Londres e desenvolveu e processou os seus filmes por tentativa e erro.

Em Setembro de 1896, Georges Méliès, Lucien Korsten e Lucien Reulos patentearam o Kinétographe Robert-Houdin, uma câmara-projector. Em 1897, a tecnologia melhorou e câmaras melhores foram colocadas à venda em Paris. Méliès abandonou o uso desta câmara e adquiriu as produzidas pela Gaumont, pelos irmãos Lumière e pela Pathé.

Georges Méliès dirigiu mais de 500 películas entre 1896 a 1913, de 1 a 40 minutos, desempenhando papéis em pelo menos 300, os quais eram em grande parte semelhantes aos seus espectáculos de ilusionismo no teatro. O seu envolvimento como realizador, produtor, argumentista, cenógrafo, técnico, publicitário, editor e, muitas vezes, actor, faz dele um dos primeiros autores da história do cinema.

Registava truques e acontecimentos impossíveis, como objectos a desaparecer ou a mudar de tamanho. Por exemplo, depois de experimentar a múltipla exposição simultânea, Méliès criou «L’Homme-Orchestre» em 1900, no qual ele, numa cadeira, se desdobra sete vezes e forma uma banda instrumental.

Em Maio de 1896, Méliès filmou os seus primeiros filmes e, em Agosto desse ano, estavam a ser exibidos no seu teatro. Lucien Korsten era o principal operador de câmara. Muitos dos seus primeiros filmes foram cópias ou remakes dos filmes dos irmãos Lumière, feitos para competir com os 2 000 clientes diários do Grand Café. No entanto, começou a experimentar (e muitas vezes até inventar) efeitos especiais que eram exclusivos do cinema. Em Setembro de 1896, começou a construir um estúdio cinematográfico na sua propriedade em Montreuil, nos arredores de Paris. O tecto e as paredes do edifício do palco principal eram feitos de vidro para permitir a entrada de luz solar para a exposição do filme e as suas dimensões eram idênticas às do Théâtre Robert-Houdin. A propriedade também incluía uma área para vestiários e um hangar para construção de cenários. Como os filmes eram a preto em branco, pintaram os cenários, figurinos e até a maquilhagem dos actores com diferentes tons de cinzento.

Méliès dividiu o seu tempo entre o Théâtre Robert-Houdin e Montreuil. Às vezes trabalhava no estúdio a partir das sete horas da manhã para preparar cenários e adereços e, às cinco horas da tarde, ia para o Théâtre Robert-Houdin e regressava para dormir em Montreuil. Às sextas e sábados filmava as cenas planeadas durante a semana e aos domingos e feriados estava nas matinés do teatro. No total, Méliès fez 78 filmes em 1896 e 52 em 1897. Os géneros incluíam documentários, no estilo dos filmes dos Lumière, comédias, reconstruções históricas, dramas, truques de magia e féeries. Em 1897, Méliès foi contratado pelo popular cantor Paulus para registar as suas interpretações. Paulos não quis cantar ao ar livre e, em estúdio, cerca de trinta lâmpadas de arco e de mercúrio tiveram que ser usadas, uma das primeiras vezes em que a luz artificial foi usada em cinema. Quando os filmes de Paulus eram projectados, ele ficava atrás do ecrã a cantar os temas do seu repertório, criando a ilusão de imagens em movimento com som. Como os irmãos Lumière e a Pathé, a Star Films também fez filmes eróticos. De 1896 a 1900, Méliès realizou anúncios de produtos como uísque, chocolate e cerais para crianças. Em 1897 tentou transformar o Théâtre Robert-Houdin numa sala com menos números de magia e mais exibições de filmes todas as noites, mas no final do ano de 1897, as exibições destes estavam limitadas apenas às noites de domingo. Em 1898 começou a fazer filmes mais ambiciosos e elaborados, incluído uma reconstrução histórica do naufrágio do USS Maine, intitulado «Visite sous-marine du Maine» assim como a sátira religiosa, «Tentation de Saint Antoine», em que a devoção do santo é atormentada pela visão de sedutoras mulheres. A certa altura ajoelha-se diante de uma imagem de Jesus na cruz e esta transforma-se numa tentadora mulher.

Continuou a experimentar mais efeitos especiais como a sobreposição ou o plano em que os movimentos estão às avessas.

Méliès fez 48 filmes em 1899, continuando a experimentar todos os tipos possíveis de efeitos especiais. Em «Cléopâtre» a múmia da rainha egípcia ressuscita. Esta curta-metragem chamou a atenção do produtor Charles Urban, que distribuiu o filme nos Estados Unidos sob o título «Robbing Cleopatra’s Tomb» e, posteriormente, muitos outros filmes de Méliès.

Neste mesmo ano, realizou o filme «Cendrillon», baseado no conto de Charles Perrault com mais de 6 minutos e um elenco com mais de 35 pessoas. Foi o seu primeiro filme com múltiplas cenas. Fez sucesso não só da Europa como também nos Estados Unidos, projectado em feiras e em music halls. Os distribuidores de filmes Norte-americanos necessitavam de novo material para atrair o seu público e para contrariar o monopólio crescente de Thomas Edison. Os filmes de Méliès eram muito populares e os produtores do outro lado do Atlântico como Thomas Edison não gostavam da concorrência das empresas estrangeiras. Após o êxito de «Cinderela», tentaram impedir a exibição da maior parte dos filmes de Méliès nos Estados Unidos, mas logo descobriram o processo de duplicação pirata de negativos. Em 1900 Méliès e outros cineastas fundaram o Chambre Syndicale des Editeurs Cinématographiques como modo de se defenderem nos mercados estrageiros. Georges Méliès for eleito o primeiro presidente desta associação até 1912 e o Théâtre Robert-Houdin era a sede da mesma. Na mesma época, Méliès aproveitou o sucesso financeiro para expandir o estúdio de Montreuil, criando cenários ainda mais elaborados e espaços de armazenamento adicional para seu crescente arquivo de adereços, figurinos e outros acessórios.

Em 1902 começou a usar o movimento da câmara. Em «Le Voyage dans la Lune» Méliès, com 14 minutos e um investimento de 10.000 francos, lidera um elenco de artistas do teatro, do ballet do Théâtre du Châtelet e acrobatas das Folies Bergères.

O filme foi um triunfo na França e em todo o mundo e Méliès vendeu versões a preto e branco e coloridas à mão para os exibidores. O filme tornou-o famoso nos Estados Unidos, onde produtores como Thomas Edison, Siegmund Lubin e William Selig produziram cópias ilegais e ganharam grandes quantias de dinheiro com elas. Essa violação de direitos autorais fez com que ele abrisse um escritório da Star Films na cidade de Nova Iorque, administrado pelo seu irmão Gaston Méliès. Este, sem a prosperidade desejada no negócio de calçado, concordou em juntar-se ao seu bem-sucedido irmão na indústria cinematográfica. Viajou para Nova Iorque em Novembro de 1902 e descobriu a extensão da violação dos direitos de autor nos Estados Unidos.

Muitos outros filmes se sucederam, nos quais aperfeiçoou efeitos especiais como o stop-motion, exposições múltiplas, a câmara rápida e lenta, as dissoluções de imagem e o filme colorido.

O conteúdo mágico ou fantástico de grande parte dos seus filmes acentuou-se com o emprego da cor. Embora adepto de cenários em tons de preto e branco, que ele próprio executava, explorando o seu talento de desenhador, Méliès concebeu os seus filmes usando um processo de colorização longo e meticuloso, feito directamente no filme a preto e branco, nas cópias do negativo original, fotograma a fotograma, a uma velocidade de 16 a 18 imagens por segundo. Para atender à crescente demanda de compra de cópias coloridas, o processo foi então industrializado e mecanizado a partir de técnicas de impressão já utilizadas na fotografia (nos cartões postais, por exemplo). Numa oficina fora do estúdio de Méliès, os filmes da Star Film eram coloridos à mão, sob a direcção de Élisabeth Thuillier. Chegaram a estar envolvidos duzentos e vinte trabalhadores nessa oficina. Durante o dia aplicavam a cor seguindo as suas instruções. Cada trabalhador especializado aplicava apenas uma cor. A substância usada era cor de anilina, dissolvida em água e álcool antes de ser aplicada. Na época, o processo de colorização em filme também era utilizado pelas empresas de Léon Gaumont e dos irmãos Pathé, tarefa igualmente destinada a trabalhadores qualificados.

No delicioso «Voyage à travers l’impossible» de 1904, com cerca de vinte minutos, o líder do Instituto de Geografia propõe uma viagem até o Sol, a qual virá a ser realizada num comboio.

Críticos de cinema como Jean Mitry, Georges Sadoul e outros mais, afirmaram que o trabalho de Georges Méliès começou a declinar a partir de 1907 e uma investigadora de cinema, Miriam Rosen escreveu que as obras começaram a cair na repetição de fórmulas antigas e numa imitação de novas tendências.

Descontente com os métodos e com o controlo da indústria Norte-americana por Thomas Edison através da Motion Picture Patents Company, fundada em 1908, uma corporação que juntava as principais empresas cinematográficas dos EUA e filiais estrangeiras locais (Edison, Biograph, Vitagraph, Essanay, Selig Polyscope, Lubin Manufacturing, Kalem Company, Star Film Paris e American Pathé), a principal distribuidora de filmes (George Kleine) e a maior fornecedora de filme bruto, (a Eastman Kodak), Méliès estabeleceu o seu próprio estúdio em Chicago, mas sempre se considerou um produtor independente.

Em 1910 parou temporariamente de fazer filmes porque preferiu criar um grande espectáculo de mágia «Les Fantômes du Nil» e fez uma digressão pela Europa e Norte da África. Naquele ano, a Star Films assinou um acordo com a Gaumont para distribuir todos os seus filmes. No Outono fez um acordo com Charles Pathé que iria destruir a sua carreira cinematográfica. Méliès aceitou uma grande quantia de dinheiro para produzir filmes e, em troca, a Pathé Frères distribuiu e reservou o direito de editar esses filmes. Como parte do acordo, a Pathé também detinha a escritura da casa de Méliès e do seu estúdio em Montreuil.

Méliès começou a produzir filmes mais refinados, embora os dois que ele produziu em 1911, «Les Hallucinations du baron de Münchausen» e «Le Vitrail diabolique», fossem fracassos financeiros. Outros filmes subsequentes foram cortados na sua duração e não tiveram lucro. Em 1912 rompeu com a Pathé.

As perdas de Gaston e o não cumprimento das obrigações contratuais da Star Films com a empresa de Thomas Edison, resultou na venda da filial Norte-americana à Vitagraph Studios. Gaston regressou à Europa. Ele e Georges Méliès deixaram de se falar até à morte deste, em 1915.

Quando Méliès cessou o contrato com a Pathé, em 1913, não tinha dinheiro para pagar a sua dívida para com a empresa. Embora uma moratória declarada no início da Primeira Guerra Mundial tenha impedido a Pathé de se apropriar da sua casa e do estúdio de Montreuil, Méliès estava completamente falido e incapaz de continuar a fazer filmes. As más decisões financeiras do seu irmão Gaston e os horrores da Primeira Guerra Mundial foram as principais razões pelas quais ele abandonou a sua actividade. O golpe derradeiro foi a morte da sua primeira mulher, Eugénie Génin, em 1913, deixando Méliès a cuidar dos seus dois filhos. Com a guerra, veio o encerramento do Théâtre Robert-Houdin por um ano e Méliès deixou Paris com os seus filhos durante alguns anos.

Em 1917, o exército francês transformou o edifício principal do estúdio na sua propriedade em Montreuil num hospital para soldados feridos. Confiscou mais de quatrocentas impressões originais da Star Films e derreteu-as para recuperar prata e celuloide, sendo este último material usado fazer saltos para os sapatos dos militares. Em 1923, o Théâtre Robert-Houdin foi demolido para reconstruir o Boulevard Haussmann. Nesse mesmo ano, a Pathé tornou-se proprietária da Star Films e do estúdio de Montreuil. Furioso, Méliès queimou todos os seus negativos armazenados no estúdio de Montreuil, incluído a maioria dos cenários e figurinos. Como resultado, muitos dos seus filmes não existem hoje, mas 200 conseguiram ser salvos e preservados graças às cópias piratas ou confiscadas, encontradas posteriormente.

Méliès ficou esquecido e subsistiu com dificuldades financeiras. Em 1925, casou com a sua amante e o casal ganhou a vida trabalhando numa pequena banca de doces e brinquedos na Gare de Montparnasse.

Em 1924, o jornalista Georges-Michel Coissac conseguiu localizar e entrevistar Méliès para um livro sobre a história do cinema. Coissac, concentrado na importância dos pioneiros franceses para o cinema das primeiras décadas, foi o primeiro historiador de cinema a demonstrar curiosidade e a dar a merecida importância de Méliès para a indústria. Em 1926, estimulada pelo livro de Coissac, a revista Ciné-Journal localizou Méliès. Nos finais da década de 20, vários jornalistas começaram a pesquisar a vida e a obra de Méliès gerando um novo interesse por este cineasta. À medida que o seu prestígio começou a crescer no mundo do cinema, recebeu a atenção de figuras como Henri Langlois, Georges Franju, Marcel Carné e Jacques Prévert.

Georges Méliès morreu de cancro em 1938, aos 76 anos, poucas horas após o falecimento de Émile Cohl, outro grande pioneiro do cinema francês.

Martin Scorsese prestou-lhe homenagem no filme «Hugo» de 2011, baseado no livro «The Invention of Hugo Cabret» escrito e ilustrado por Brian Selznick.

Admirado por David Griffith ou Charles Chaplin, o cineasta Terry Gilliam disse que ele foi «o primeiro grande mágico do cinema», acrescentando que o «seu alegre sentido de diversão e capacidade de surpreender foram uma grande influência tanto nas minhas primeiras animações como nos meus filmes de acção ao vivo... Claro, Méliès ainda tem um apertado controle criativo sobre mim».

Maria Amaro

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